Coisas que eu joguei esse mês – 06/12

Isso é algo que eu vou tentar fazer. Cada mês eu jogo coisas; eu não tenho tempo de falar sobre essas coisas, então vou tentar resumir aqui. Eu jogo coisas estranhas, por sinal.Por isso a vaca.

O que eu joguei nesse mês – 06/12

Drawn

Os dois jogos dessa série, A Torre Pintada e Um Voo na Escuridão (eu joguei as versões em português; ufanismo +1) tem uma origem plantada firmemente no âmbito “casual”. E a princípio, parecem aqueles jogos de procurar objetos escondidos que você vê em promoção nas Lojas Americanas, e que sua avó provavelmente joga, se sua avó for muito legal.

Drawn é diferente; é esperto, bonito que só, com uma estrutura que alterna enigmas de inventário, lógica, e quebra-cabeças que de fato exigem que o jogador pare e pense por algum tempo, mas são deliciosamente possíveis (e há um sistema de dicas, que entrega a resposta sem nada pedir em troca – bom).

Há como pano de fundo uma história arquetípica, sobre princesas, dragões, e pinturas mágicas, em que a economia de detalhes diz mais do que longos interstícios de texto poderia dizer. Mas do que isso estragaria a magia da experiência.

E a música; meu deus, a música.

Stubbs the Zombie in Rebel Without a Pulse

Stubbs parece mais velho do que é na verdade; a sensação é de jogar algo feito em 1999, embora o jogo é de seis anos depois. O personagem principal, o zumbi verdegoso Stubbs, cambaleia por cenários muito maiores do que sua velocidade deveria permitir, trombando na geometria de cenário inapropriada a cada com frequência.

Também é tremendamente brutal, apesar dos sobretons de comédia; cérebros são comidos, braços arrancados, e seus inimigos (caipiras, bullys dos anos 50, cientistas com pistolas de raio space age) morrem com gritos de dor e sofrimento que circula do “ah tá, é uma paródia” até “hm, isso é levemente perturbador”.

(não sou o tipo de pessoa que arquiva tudo ultraviolento e pseudoprovocador como paródia, entenda)

Mas também tem a virtude de ser consistentemente engraçado ; tem uma série de poderes divertidos (o melhor é desatarraxar a sua cabeça e usar como uma bola de boliche explosiva); e é felizmente um jogo de zumbis pré-tudo-virar-jogo-de-zumbis, e controlar comedores de cérebros é significamente mais interessante que moer vários deles com metralhadoras. Ainda que o jogo precise urgentemente de um comando de “CHAAAARGE!” para sua horda desmorta.

A melhor coisa do jogo, porém, é sua fantástica trilha sonora de músicas licenciadas, todas covers de canções dos anos 50 interpretadas por bandas bacanas; coisa finíssima.

Tem o jeitão de um jogo feito por gente que não tinha ideia de como fazer um jogo, mas é honesto, e sem um pingo de cinismo do enfado zumbi dos anos 10.

Cart Life

È o Dwarf Fortress da miséria metropolitana; Kairosoft adaptando Spike Lee. Indie pra burro, simula a experiência de viver abaixo da linha pobreza numa cidade cinzenta e sem paciência para você. Trabalho repetitivo, depreciação alheia, e condição sub-humanas de alimentação lhe aguardam. Quer dizer, esse foi o tratamento que o pobre Andrus Poder, meu personagem, recebeu, porque não entendi de jeito nenhum como se joga.

Eu comprei uma banca de jornal, que não consegui abrir porque Andrus Poder estava muito faminto; comprei então uns cachorros-quentes que não tinha como esquentar; terminei gastando todo o meu tempo de trabalho andando pela cidade procurando um fogão, e acabei voltando para o hotel decrépito onde meu personagem vive, tendo só um gatinho como compania, faminto e sem dinheiro. Eu desliguei o jogo com vergonha de mim mesmo.

Hm, acho que devia jogar de novo.

Darwinia

Pou, pou, pou!

Darwinia é um jogo de estratégia em tempo real pra quem acha que estratégia em tempo real é coisa de nerd. Há um cardápio limitado de unidades e movimentos, mas existe um controle direto sobre as unidades; então a sensação (ressaltado pela esperta estética lo-fi) é de estar no meio termo entre Starcraft e Centipede.

Além de combater vírus militarizados que infestam a esfera bioinformacional onde o jogo se passa, se lida também com os Darwinians, seres digitais inteligentes, cuja sobrevivência e empatia precisam se respectivamente conquistadas e garantidas pelo jogador.

O subtexto (é sua responsabilidade salvar o mundo virtual de uma invasão de, em última escala, estupidez humana) é brilhante; as leis da natureza regidas por uma ordem eletrônica, zero-e-uns como fluxo natural, ganham sobretons religiosos e e filosóficos, que o jogos tristemente só sugere, não explora; a preocupação maior é com o pou, pou, pou. Pelo menos, é melhor que Tron: O Legado.

(ganhador do prêmio principal do Independent Games Festival de 2006 – before it was cool)

DC Universe Online

o jogo nunca é interessante assim

Meu problema com mumorpegers; eles são estúpidos. Iterações infinitas das mesmas atividades, com incrementos cosméticos, cuja dinâmica de risco e recompensa é a mesma do princípio ao fim, e não há a fricção do desafio. Ah, e você tem que lidar com outras pessoas. Brr.

DCUO tem o mérito de ter atrativos na forma de espaços de jogo genuinamente interessantes, sistemas de controle com fisicalidade genuína e, pah, quem eu estou tentando enganar, estou aqui pelas referências obscuras de gibi jogadas a torto e a direito. E pelo decote da Power Girl.

Mas meu cientista maluco voador mestre de kung-fu, Doutor Delinquente, se sente contraído pela estrutura conservadora das missões; vá para X, mate Y, carregue Z; repetere ad infinitum. È como preencher uma planilha de Excel com socos.

Lado ruim: pessoas não tem noção de contexto; não consigo aceitar que existe uma pessoa em algum lugar do mundo que acha que SuPerDudeZZ_2064 é um bom nome de super-herói.

Lado bom: a dublagem é fantástica. Eu poderia escutar o Calculador falando o dia todo.

Outro lado bom: é de graça, então, e daí?

Professor Layton and the Curious Village

PORQUE SEU MALDITOS LOBOS NÃO QUEREM ATRAVESSAR A JANGADA COM OS PINTINHOS PORQUE!!!!!!

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